Quatro habilidades estão chamando a atenção dos recrutadores

Transformação digital exige novas habilidades para resolver problemas

Na avaliação do especialista em recrutamento e CEO da Trampos.co ,Tiago Yonamine, entretanto, não são as habilidades técnicas que farão os olhos de um recrutador brilharem durante uma entrevista de emprego, e sim, as características comportamentais do candidato.

"As skills (habilidades) técnicas são voláteis e não são mais determinantes em um processo seletivo. Ter curiosidade e engenhosidade - que é a capacidade de aprender - são mais importantes atualmente”, afirma Yonamine.

Para ele, essa mudança nos recursos humanos aconteceu em função das novas tecnologias e da transformação digital pela qual a maioria das empresas está passando.

 “O RH se adapta às transformações do mercado de trabalho. Hoje mesmo as empresas dos setores mais conservadores estão adotando novos processos tecnológicos que mudam a dinâmica do trabalho”, explica o executivo.

Ele ressalta que a automatização está invadindo o mercado de trabalho, substituindo o trabalho repetitivo, e com isso, a criatividade ganha espaço.

“Aquele profissional com o perfil super técnico, que se especializou em uma ferramenta ou linguagem de programação única é menos procurado. A tendência é o profissional que conhece os fundamentos mas tem curiosidade para aprender de acordo com as necessidades”, acrescenta.

 Entre as habilidades comportamentais que hoje estão sendo buscadas para atender essas mudanças no mercado de trabalho , Tiago Yonamine aponta quatro que, na sua avaliação, são as mais valorizadas:

1. Resiliência e engenhosidade

Resiliência é o “espírito de fazer acontecer”. Candidatos com essa característica conseguem resolver problemas do dia a dia de forma mais criativa, sem focar na dificuldade.

2. Tendências colaborativas

Trabalhos em grupo são essenciais para que os candidatos encontrarem as melhores soluções . Por isso, quem não gosta ou não consegue trabalhar em grupo perde pontos em um processo seletivo.

3. Curiosidade

Candidatos interessados costumam, durante as entrevistas, fazer perguntas sobre a empresa, a vaga oferecida, os principais clientes, projetos, características das pessoas que fazem parte da organização. Esse perfil demonstra facilidade de aprendizado e vontade de encarar novos desafios.

4. Empatia

A inteligência emocional está em alta na lista de qualidades de um excelente profissional e profissionais empáticos, geralmente, contribuem para o ambiente corporativo. A característica pode ser observada na linguagem corporal, no entusiasmo do candidato em sua apresentação e no dia da entrevista, a forma de cumprimentar, a postura ao sentar, o contato visual e os gestos usados ao falar.

 Como é na prática?

Guto Macedo acredita que sua capacidade de aprender foi importante no processo de contratação

O recrutador da consultoria de e-commerce Maeztra, Marcio Cavalcante, adota nas entrevistas de emprego que conduz os mesmos fundamentos apresentados por Yonamine. “70% do nosso processo seletivo é baseado no comportamento. Buscamos conhecimentos técnicos mínimos e valorizamos os comportamentais”, afirma.

Entre as vantagens de selecionar candidatos com características como curiosidade, iniciativa e criatividade, Cavalcante cita um turnover (rotatividade de pessoal) muito baixo, um clima organizacional positivo , e ótimos resultados dentro dos objetivos da empresa.


Ele salienta, porém, que não adianta tentar simular um comportamento irreal durante a entrevista. “Temos testes que já são feitos para levar o candidato a perguntar, tomar iniciativa, ou renegociar um prazo, e observamos como ele se comporta dentro desses desafios”, explica o recrutador.

Para o desenvolvedor de software José Augusto Gomes Macedo, o Guto, de 26 anos, que trabalha há cerca de três meses pela Maeztra, sua curiosidade foi o que garantiu sua contratação. “Um diferencial é que eu vou lá e aprendo , vou tentando até conseguir”, ensina.

Para Guto, o processo seletivo da Maeztra foi uma surpresa positiva . “Eu estava preocupado com as questões técnicas porque trabalhei muitos anos em casa, não sabia se me faltaria algum conhecimento. Quando percebi uma abordagem diferente , que levava em conta se eu gostava de esporte, se eu me interessava por leitura, me senti mais confiante”, relata.

"O Guto é uma pessoa que tem ótimos resultados com desenvolvimento de software e tem uma vivência que o tornou uma pessoa resiliente e que exerce a empatia ”, avalia Cavalcante.

 É possível treinar habilidades comportamentais?

Para Marcio Cavalcante, sim. “São características que, no fundo, todos nós temos. A curiosidade, por exemplo, existe sempre quando se trata de um tema pelo qual a pessoa tem paixão, por isso é importante buscar trabalhar com aquilo que gosta ”, explica o recrutador.

"Para desenvolver a empatia, é possível desenvolver um trabalho voluntário e para aumentar a capacidade de resolver problemas, a engenhosidade, o profissional pode buscar se expor a desafios novos , como participar de hackatons, onde novas soluções podem surgir”, aconselha.

 

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